sábado, 22 de setembro de 2012

O Moço Que Não Sabia Dançar


Eu não sou um exímio dançarino. Na realidade o meu nome não pode estar numa frase onde as palavras 'exímio dançarino' adjetivem sobre mim.
Sou quem fica encostado, de costas para a dança, de face para o bar.
Você apostou nosso amor em uma dança, mas você sabia que eu não sei dançar.

Eu Sigo Nuvens


Inventei o esquecimento pra tentar te desinventar
Fiz cara de confuso me perguntando “quando tempo demora pra passar?”
Mas assim, brincando de cria e criador, eu me aprumo, pois sem rumo esperança não há
Quem me encontrar ao acaso, olhando nuvens passar, pensará que encontrei a paz
Ora, a paz nunca foi objetivo maior de encontrar, mas de ver nuvens tão tranquilas sei que é neste passo que necessito caminhar.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Poesia Esfarrapada


Pois ando querendo te ver e quem sabe eu não passe por aí.
Por aí, pra te falar alguma coisa. Qualquer coisa assim meio sem jeito, meio gago, as vezes meio tímido, as vezes meio rápido.
Passar por aí sem intenção aparente,  com essa minha cara lavada, com alguma desculpa esfarrapada dessas que te faça sorrir sem entender quase nada.
Mas acima de tudo, que seja muito mais o teu sorrir do que o teu não entender quase nada.

domingo, 2 de setembro de 2012

Sobre Ter e Ser


Tenho azar, sou poeta e esse pingo de dor que me assolou bateu em mim, meu mar agitou e meu navio afundou.
Tenho sorte, sou poeta. Nos destroços do navio descansei, prendi o fôlego, por um tempo não respirei e de tanto vasculhar esse navio um tesouro encontrei.
Tenho força, sou poeta.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A Dona, o Dono e o Amor


Passeando no parque com seu vira-latinha. Era a rotina matinal.
Caminhando assim, tranquilo, avistou-a de longe. Ela vindo em marcha tranquila e em sua direção. De longe parecia também uma vira lata preso à coleira que ela segurava.
_A coleira é rosa! É fêmea... O Quixote anda mesmo precisando de uma fêmea. Será que ela aceita cruzar? Droga, se eu falar assim ela vai pensar que sou um tipo de maníaco que ataca mulheres que passeiam nos parques com seus cachorrinhos.  “Oi, vem sempre aqui?” Idiota, vai querer oferecer uma bebida também? Idiota! E se eu só deixar o Quixote cheirar a cadela? “Estão se cheirando... Quer ir lá em casa almoçar?” Ahhh, não! Eu não vou falar nada, o Quixote não tá precisando tanto assim.
Ela Passou, a cadela passou e Quixote continuou sem amar.

domingo, 19 de agosto de 2012

Ando Evitando



Ando evitando aventuras. Dessas que a gente pensa ser filho de Cervantes e de que na história achamos que teremos papel melhor do que figurantes.
Ando evitando andar. Ir de encontro a algo, de encontro à alguém em algum lugar, somente pela lógica que após a parte do encontro vem a parte de desencontrar.
Ando evitando esse tempo frio. Tenho más lembranças quando tenho algum arrepio.
Também evito as coisas rotineiras como o aumento do colesterol, o excesso do açúcar e o desanimo nas segundas feiras.
Mas com tanta precaução só me resta evitar uma coisa que agora conto como segredo: Me falta evitar ter tanto medo.

domingo, 29 de julho de 2012

Sejamos Breves



Sejamos breves, pois não chove lá fora, mas minha alma escorre aqui dentro. Eu te avisei, a gente não iria sobreviver assim e agora minha vida não é mais olhar nos teus olhos. Minha vida agora resume-se em olhar no olho do furacão. Ler meu jornal enquanto os móveis flutuam, rodopiam e com certeza amanhã de manhã em outra sala irão estar.
Sejamos breves, pois estamos perdidos precisando achar caminho, precisando encontrar o terminal além do literal terminal, o nosso terminal estado de saúde.
Sejamos breves porque conquistamos um reino, mas levantamos a bandeira em um castelinho de areia e a maré já vai subir.
Sejamos para além de breves. Sejamos a mais nova descoberta cientifica no campo da relatividade. Sejamos dois presentes existindo no passado. Pois o nosso futuro viveu ali, logo, sejamos uma máquina do tempo.
De fato, sejamos breves, pois demoramos tanto na chegada que já estamos nos atrasando na partida.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Partindo De Um Outro Ponto



Perdi o ponto e minhas palavras se foram pra bem depois do fim da linha.
Todas em fila, como se fosse pular do último andar.
Como andar na prancha em alto mar e não saber nadar.
Como passarinho prematuro que salta do ninho antes de maturar, antes de saber voar.

O fato é que além de perder os pontos  agora venho perdendo até mesmo as vírgulas!
A sensata e correta ortografia há tempos não me faz o menor sentido.
Parto do ponto que as respostas não estarão escritas e que parto mesmo não acontece só no início de nossas vidas.
Porque morro hoje e espero nascer outro dia.