sábado, 2 de julho de 2011

Poesia de Calçada


Gozar de minha loucura, assim, sentado em calçada uivando pra lua.
Velho cachorro franzino, vira lata de rua.
Debaixo d'água, perdido na chuva.
Sorrindo alvuso e me sentindo avesso.
Ao contrário das placas, parado em contramão.
Preferindo a alegria do feio do que a tristeza da perfeição.

Eu No Espelho


Olhar no espelho e não encontrar o reflexo ideal.
Bem talvez isso é por não conhecer o que eu quero.
Ou talvez por não saber quem eu sou.
Mas e se busco um outro alguém?
Se não me conheço, este alguém poderia ser eu?
Não gosto de tanto egocentrismo.
Então, pensando bem, busco um alguém semelhante.
O quanto semelhante?
O necessário pra saber quem eu sou.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

Nunca Não Partir


E não houve despedida ou algo similar.
Se me sinto por metade e se no meio do caminho ainda quero
voltar.
Se o parto que é partir dói.
Se acredito no que penso e se penso que ainda estou contigo.
Se a estrada não tem início ou fim e que nossa distância me
parece menor do que este ponto final.
Se a idéia da invenção das curvas não serve pra nos afastar.
E que afinal somos agora reticências da nossa história que
insiste em continuar.
E em meus poemas, saberão que te amo. Ainda que eu não precise
rimar.
E que te amo é muito simples pelo tanto que eu quero te
amar.

Chegada


É chegada e nos alto-falantes, entre outras viagens, já são anunciadas as batidas de minha emoção.
Esperto-te... Meus olhos te buscam e descarto todos os rostos que não é o seu dentro da multidão.
Espero-te... E por esperar, os segundos se alongam e o relógio parece ser uma fotografia. Estático.
Dê-me sinal de sua presença, amor...
Mas quando quase oro, vejo-te!
Você, que antes de ter sua presença eu tinha imagens e sonhos.
Que antes de sentir gostos eu tinha a imaginação.
Vejo você e não tenho mais passado.
Passado todo esse tempo te tenho como presente e maior não tenho nada maior que isso.
Meu presente!
E sobre a sua chegada, nada resume meus poucos passos até você.
Nada resume seu corpo de frente ao meu.
Nada resume seus lábios.
Amor, nunca vou te resumir pois são várias as páginas de paixão e mesmo as poucas palavras do “eu te amo” não parecem explicar o que é do meu coração.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Carrego Comigo

Calçou os sapatos, pegou o chapéu e vestiu o casaco.
Tirou as chaves da mesa e as colocou no bolso esquerdo.
No bolso direito já carregava sua tristeza.

Fechou a porta.
Não mais voltar.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Sobre Afins (Mayumi Kariya)

Acessem:

Meu amor, minha flor, minha menina (Zeca Baleiro)


Meu amor minha flor minha menina
Solidão não cura com aspirina
Tanto que eu queria o teu amor
Vem me trazer calor, fervor, fervura
Me vestir do terno da ternura
Sexo também é bom negócio
O melhor da vida é isso e ócio
Isso e ócio
Minha cara, minha Carolina
A saudade ainda vai bater no teto
Até um canalha precisa de afeto
Dor não cura com penicilina
Meu amor minha flor minha menina
Tanto que eu queria o teu amor
Tanto amor em mim como um quebranto
Tanto amor em mim, em ti nem tanto
Minha cora minha coralina
mais que um goiás de amor carrego
destino de violeiro cego
Há mais solidão no aeroporto
Que num quarto de hotel barato
Antes o atrito que o contrato
Telefone não basta ao desejo
O que mais invejo é o que não vejo
O céu é azul, o mar também
Se bem que o mar as vezes muda,
Não suporto livros de auto-ajuda
Vem me ajudar, me dá seu bem

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Bela

Eu esperava ansiosamente para a construção de minha maior obra, obra que se tornasse prima, que se tornasse minha.
Diferente das obras que fiz, das que ocupam o papel mas por pouco tempo ocupam o coração.
Surge você.
De dentro para fora, estranhamente parecia que já estava. 
(Ou qualquer outro verbo que conjugue o meu passado).
Obra bela, você é poesia minha.
Ter você em minhas linhas é não mais precisar de rimas.
E se você me aparece como uma obra já terminada, a tinta que me cabe é somente para o ponto final.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Palavras sem Teto


Tristes são os meus poemas mais bonitos, aqueles que dizem algo sobre alguma paixão.
Todos aquelas palavras orfãs que perderam o sentido e o incentivo de correr as linhas.
Só pelo motivo de também perderem o afago da musa da inspiração.