domingo, 5 de dezembro de 2010

O nosso silêncio


Estamos brigados e essa é a nossa situação.
Duas bocas caladas.
A situação do silêncio.
Bem parecida com a situação de um beijo.

O que eu nem ao menos tinha


Você nao merece meu coração.
Ainda que ele seja de pedra.
Ainda que ele seja oco.
Ainda que eu nao tenha coração.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Quase


E por você quase fui tantas coisas que quase pude voar.
Por momentos quase me senti abraçado e lancei-lhe meu laço, quase quis te segurar.
Das coisas ditas quase acreditei.
Depois de muito tempo quase rezei.
Quase ausência, quase presença.
Quase dor.
Quase bonita essa historia de quase amor.

Partida


As caixas já estavam etiquetadas e tudo recebeu a sua devida nomeação.
Tudo pronto para a mudança.
Os cômodos, de tão vazios, já faziam eco e repetiam nossas lembranças.
Nada ficaria para trás.
Só mesmo o nosso antigo amor, posto na caixa de coisas quebradas.

Sou Poeta


E ponho fim ao meu castigo.
O último grão de areia cai e o espaço em branco no papel se esvai.
Com tinta faço barulho e com barulho faço poesia.
Volta essa estranha calma de tratar minhas tristezas com alegria.
É essa, a minha bela contradição que me atrai.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Boneco velho


Sou boneco quebrado jogado entre tantos outros que não jogam mais.
Entre as partes que me faltam, entre fatos que me marcam e entre afagos que não tenho mais.
Brinquedo remendado, arame e cola, por isso não me mecho mais.
E no escuro do quarto princesa nem me olha mais.

Tenhos os pés molhados


Tenho os pés molhados e um cigarro apagado entre dedos enquanto eu ando entre ruas onde entre pessoas as vezes eu nem ao menos pareço ser mais um.
Levo o cigarro sem cinzas até a boca por mera força de hábito.
Até parece que eu não preciso de fumaça, a cidade já me pulsa como um câncer.
É doença, é uma outra forma de morrer... ou viver.
Tanto faz! Eu nem mesmo entendo o porquê estou pensando nisso, afinal de contas eu tenho os pés molhados e um cigarro apagado.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Se era pra Sermos


Não, meu bem, não é preciso a existência de nada escrito sobre nós.
Somos uma folha em branco.

Passos Tortos


Bebida alguma faz com eu seja torto no meu modo de andar.
É o amor que me faz cambalear.

Como se fosse morrer.


E quando me olhava, eu morria um pouco mais.
E quando me tocava, eu morria um pouco mais.
E por te amar, eu sempre morria um pouco mais.
Até chegar o dia que você me matou.