Tenho azar, sou poeta e esse pingo de dor que me assolou
bateu em mim, meu mar agitou e meu navio afundou.
Tenho sorte, sou poeta. Nos destroços do navio descansei,
prendi o fôlego, por um tempo não respirei e de tanto vasculhar esse navio um
tesouro encontrei.
Passeando no parque com seu vira-latinha. Era a rotina
matinal.
Caminhando assim, tranquilo, avistou-a de longe. Ela vindo
em marcha tranquila e em sua direção. De longe parecia também uma vira lata
preso à coleira que ela segurava.
_A coleira é rosa! É fêmea... O Quixote anda mesmo
precisando de uma fêmea. Será que ela aceita cruzar? Droga, se eu falar assim
ela vai pensar que sou um tipo de maníaco que ataca mulheres que passeiam nos
parques com seus cachorrinhos.“Oi, vem
sempre aqui?” Idiota, vai querer oferecer uma bebida também? Idiota! E se eu só
deixar o Quixote cheirar a cadela? “Estão se cheirando... Quer ir lá em casa
almoçar?” Ahhh, não! Eu não vou falar nada, o Quixote não tá precisando tanto
assim.
Ela Passou, a cadela passou e Quixote continuou sem amar.
Ando evitando aventuras. Dessas que a gente pensa ser filho
de Cervantes e de que na história achamos que teremos papel melhor do que figurantes.
Ando evitando andar. Ir de encontro a algo, de encontro à
alguém em algum lugar, somente pela lógica que após a parte do encontro vem a
parte de desencontrar.
Ando evitando esse tempo
frio. Tenho más lembranças quando tenho algum arrepio.
Também evito as coisas rotineiras como o aumento do
colesterol, o excesso do açúcar e o desanimo nas segundas feiras.
Mas com tanta precaução só me resta evitar uma coisa que
agora conto como segredo: Me falta evitar ter tanto medo.