segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tenhos os pés molhados


Tenho os pés molhados e um cigarro apagado entre dedos enquanto eu ando entre ruas onde entre pessoas as vezes eu nem ao menos pareço ser mais um.
Levo o cigarro sem cinzas até a boca por mera força de hábito.
Até parece que eu não preciso de fumaça, a cidade já me pulsa como um câncer.
É doença, é uma outra forma de morrer... ou viver.
Tanto faz! Eu nem mesmo entendo o porquê estou pensando nisso, afinal de contas eu tenho os pés molhados e um cigarro apagado.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Se era pra Sermos


Não, meu bem, não é preciso a existência de nada escrito sobre nós.
Somos uma folha em branco.

Passos Tortos


Bebida alguma faz com eu seja torto no meu modo de andar.
É o amor que me faz cambalear.

Como se fosse morrer.


E quando me olhava, eu morria um pouco mais.
E quando me tocava, eu morria um pouco mais.
E por te amar, eu sempre morria um pouco mais.
Até chegar o dia que você me matou.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Do Que Preciso


E guardei numa caixa as quatro letras do meu amor.

Hoje eu só preciso de uma caixa.

O amor fica pra depois.

domingo, 1 de agosto de 2010

O que trás a Chuva


Os desenhos do teto, causados pela infiltração da chuva, brincavam de ser tudo aquilo que ele queria ter.
Era fácil enxergar um banco, talvez de praça, talvez ônibus, (imaginava-se em muitas situações só por precaução).
Enxergava outras pessoas, pareciam estar em movimento, passando por ele.
Viu quem tinha pressa e não lhe deu nenhum segundo de visão.
Viu quem parecia passear com um cachorro (ou um coelho dependendo do ponto de vista). Viu também quem parecia andar acompanhado ou ao menos alguém grande o suficiente pra tomar espaço de dois!
Viu o que parecia ser criança, viu o que parecia ser velhos com problemas nas costas. (Não quis incluir nenhum corcunda na história pra não fugir da realidade).
Via o queria e do jeito que bem entendesse.
Quer dizer, tudo o que queria, de certa forma, não.
Via espaço demais ao lado de quem ele era sentado no banco.
Não via quem ele queria ser do lado daquela que ele queria ter.
Mas é engraçado porque ele sorria.
É engraçado porque ele sempre dizia que talvez ela apareceria com a chuva de um próximo dia.

E se?


E se você me surgisse assim, no meio de qualquer tarde sem graça, alguns atos antes da lua se mostrar substituta do sol.
E se você viesse vestida das cores que eu mais gosto eu com certeza teria no fundo da minha gaveta de roupas velhas, uma canção pra você.
E se por isso o dia não precisasse nascer, posto que com isso o nosso canto não teria fim e que teríamos toda luz que precisássemos só pela flexão dos nossos olhos.
E se nos faltasse notas sei que inventariamos tantos outros sóis que de tanto subir escala teríamos estrelas de platéia.
E se as palavras nos traíssem sei que pela forma que meço meus dedos no teu corpo eu te mostraria outra maneira de comunicar.
E se ainda sim o dia insistisse em nascer a gente inventaria algum absurdo que seria pra todo mundo daqui fugir.
Mas e se antes de tudo isso você realmente estivesse aqui, esse poema nem precisaria existir.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sobre Folhas (ou um Conto de Infância)


Eu quando pequeno e não tinha com o que brincar, qualquer coisa me servia.

Qualquer coisa que caia parecia um avião!

Qualquer coisa que mexia era minha condução.

Qualquer caixa de TV, de papelão

Eu fazia um foguete, ia até plutão.

Enquanto espero o Sinal


Olho pro chão e já tenho cadarços desamarrados.
No verde do semáforo não tenho mais esperanças.
No espelho da loja já tenho cabelos desarrumados.
E eu tenho a impressão que o tempo, outra vez, pede por mudanças.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Entre Tantos


Entre tantos, agora eram carne em simetria.

Entre afagos, algumas pausas. [Pura necessidade de respiração].

Entre mãos, cicatrizes, espinhas, pêlos ou qualquer outra coisa que nos é natural.

Entre gosto é agridoce, o doce veneno do sal da pele.

Entre espaço não temos mais nenhum centímetro. Tudo é linha tênue e entre nós a linha agora é curva.

Entre apegos o desapego do tempo e das lembranças. Indiferença para qualquer Tic-Tac.

Entre sons, o silêncio e a quebra do silêncio com sussurros ditos em outras línguas.

Eram assim:

Entre dedos, cabelo.

Entre corpos é comum.

Entre muitos eram dois.

Entre dois eram um.